domingo, setembro 21, 2014

Literatura
Estilos de Época

Esses estilos de época estão relacionados a um contexto histórico, social e cultural e esses estilos são estudados por meio das características estéticas.

Antiguidade clássica: mitos, filosofia, tragédias gregas, gênero épico, epopeias, império romano (perseguição x aceitação). Jesus primeiro é perseguido depois é aceitado, e assim surge o cristianismo como religião principal.

Idade Média: Com a queda do Império Romano surge a Idade Media caracterizada por uma forte presença da Igreja Católica num cenário teocêntrico, de fé, de medo do desconhecido (Era das Trevas). Nesse período surge o islamismo com o profeta Maomé, e se estabelecem as Cruzadas, que é a guerra entre islãs e cristãos. Essas guerras santas dão origem às novelas de cavalaria – Robin Hood, Rei Arthur, cantigas medievais.

Renascimento: valores humanistas, valorização do homem, retorno aos valores clássicos e à razão; progresso científico, interesse pelo desconhecido leva às Grandes Navegações e assim o Brasil é descoberto.

Agora chegamos à parte principal da matéria:

Quinhentismo: Foi o primeiro tipo de literatura no Brasil. A “certidão de nascimento” da literatura brasileira foi a carta de Pedro Vaz de Caminha. Essa literatura era baseada em cartas informativas dos homens que chegavam ao Brasil e escreviam descrevendo esse cenário para a Coroa portuguesa. Então as características da literatura quinhentista são:

§  Descritivismo (relatos descritivos sobre a terra e o índios)
§  Abundância em adjetivos
§  Visão do colonizador (ponto de vista português)
§  Ufanismo (exaltação da pátria – a terra era vista como maravilhosa)
§ Hedonismo (Muitos achavam que tinham encontrado o paraíso no Brasil, como se fosse o 

    Jardim do Éden devido a sua tropicalidade, aos índios que andavam nus, fortes, robustos, bronzeados e saudáveis; a fertilidade da terra, natureza exuberante, variedade da fauna, etc. Era visto como um paraíso terreno com primavera eterna.

Se a literatura brasileira do quinhentismo tem caráter informativo, por que é considerado um texto literário?

Porque apesar de ser um texto informativo ele é considerado literário devido à beleza dessas cartas, do uso de recursos estilísticos e figuras de linguagem.

E por que é considerada literatura brasileira se foi escrita por europeus?

Apesar de não ser uma literatura do Brasil, ela é no Brasil e sobre o Brasil. É através dela que conhecemos os primórdios do território brasileiro, e por isso é considerada uma literatura brasileira.

Carta de Pedro Vaz de Caminha

A carta dele era como um diário com informações que eram relatadas com o passar dos dias no território brasileiro. Há um uso de ironias e metáforas, e percebe-se na carta um humanismo proveniente do renascimento mas com substrato cristão, ou seja, fundo cristão pelo financiamento da Igreja às Grandes Navegações.

Em sua carta, Pedro Vaz de Caminha fala sobre o “achamento” da terra brasileira, o que leva muitos historiadores a acreditarem que as terras já estavam sendo procuradas.

Ele fala também sobre o fato dos índios não serem circuncisos, porque a circuncisão é algo que provém da cultura islâmica e judaica, então se os índios não eram cincuncisados, eles não eram judeus nem muçulmanos, o que significava que podiam ser convertidos.

Na carta há relatos sobre o primeiro contato com os indígenas, que foi um contato pacífico e esse espírito pacífico dos índios é mencionado na carta mostrando uma facilidade, uma propensão a convertê-los, catequisá-los.

Por fim, Pedro Vaz de Caminha fala sobre a expectativa de achar ouro, o que mostra que eles estavam procurando as riquezas minerais. “Nela [na terra], até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos.”

Características formais da carta: o uso de linguagem formal evidenciada com os pronomes de tratamento e o uso de “vós”, 2° pessoa do plural; o uso recorrente de algumas figuras de linguagem como a metáfora, a metonímia, a ironia e algumas anáforas.

“A feição deles é serem pardos, quase avermelhados, de rostos regulares e narizes bem feitos; andam sempre nus sem nenhuma cobertura; nem se importam de cobrir nenhuma coisa, nem de mostrar suas vergonhas. E sobre isto são tão inocentes, como em mostrar o rosto. (...)” 

Quando Pedro Vaz de Caminha fala sobre os índios andarem nus sem vergonha disso, há uma alusão a narrativa bíblica de Adão e Eva, como uma intertextualidade. Além disso quando ele fala “nem de mostrar suas vergonhas” referindo-se às partes íntimas, ele está usando uma metonímia e até mesmo eufemismo.

O fragmento de Pero de Magalhães na carta é metalinguístico. Observe:

“A língua de que usam  (...) Esta de que trato, que é geral pela costa é mui branda, e a qualquer nação fácil de tomar. Alguns vocábulos há nela de que não usam senão as fêmeas, e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disso conta nem peso, nem medida.”

Além disso o uso de “fêmea” e “macho” pra se referir a mulher e ao homem dá uma ideia de animalização, zoomorficação. Quando Pero de Magalhães diz que na linguagem do índio não tem F, L ou R (fé, lei ou rei) ele está claramente falando isso sob um ponto de vista colonizador e negligenciando a própria cultura indígena.

O índio tem sim sua própria fé, mas o colonizador despreza essa fé por não ser católica. Assim como o índio tem o cacique, que seria como um “rei”, porém a organização política dos indígenas é diferente da dos europeus. Os índios tem outra forma de lidar com a religião e com a divisão social.

Nessa hora que Pero de Magalhães fala sobre fé, lei e rei ele está falando sobre as 2 ordens mais importantes da Europa: o clero e a nobreza. A lei é a punição pra quem vai contra essas ordens.

Antropofagia: é a prática ritual de comer carne humana. Era um canibalismo sagrado, por assim dizer. Em sua crença, ao devorarem um inimigo preso, os índios vencedores, além de estarem se vingando por batalhas anteriores, estariam adquirindo as características positivas do adversário que estava sendo devorado. É como se o corpo fosse a prisão da alma.
Nesse ritual o prisioneiro recebia, no período anterior à execução, todos os privilégios: uma mulher e os melhores alimentos. Depois, um guerreiro designado o executaria durante a cerimônia com um golpe na cabeça, com um tacape cerimonial chamado ibirapema.  Em seguida, o prisioneiro era cortado, assado no moquém e distribuído pela tribo. 

Os jesuítas usavam a arte para ensinar o catolicismo aos índios e com isso, na literatura de catequese, produziram poesias de devoção, peças teatrais de caráter pedagógico, inspirado em passagens bíblicas e documentos que informavam o andamento de seus trabalhos e seus superiores na metrópole.

José de Anchieta, um jesuíta, fez o “Poema à Virgem”, que era um poema lírico que falava sobre Virgem Maria; fez também “Feitos de Mem de Sá”, que era um texto épico sobre esse guerreiro que matou muitos índios; e fez “Auto de São Lourenço”, um texto dramático. Auto é uma peça de teatro com fundo religioso (Auto da Compadecida por exemplo).


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